Igreja: Nesta era digital «as homilias têm de mudar» – Martín Carbajo

Especialista franciscano analisou comunicação da Igreja Católica durante o encontro de formação do Clero do Sul

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Portimão, 19 jan 2017 (Ecclesia) – O franciscano Martín Carbajo, especialista em ética da comunicação nas redes sociais, diz que a evangelização da Igreja Católica não pode ser uma mera “transmissão de conteúdo” e dá como exemplo “as homilias, que têm de mudar”.

Em entrevista à Agência ECCLESIA, durante a jornada de formação do Clero do Sul que chegam hoje ao fim, em Portimão, sobre s ‘novos areópagos’ de evangelização, o religioso fez uma radiografia à comunicação da Igreja Católica, que considerou ter de ser mais “interativa, horizontal e direta”.

Interativa porque tem de partir mais do “diálogo tu a tu”, horizontal porque hoje já não existe uma “sociedade piramidal, hierarquizada” em que a própria Igreja Católica e o clero estavam mais distantes dos fiéis; e direta porque tem de estar “sintonizada com as expetativas das pessoas”.

“Temos de aprender com os meios de comunicação, esse diálogo implícito com o espectador, que apela ao coração, e nisso o Papa Francisco é mestre porque aponta mais aos gestos do que aos discursos”, referiu Martín Carbajo.

O professor da Pontifícia Universidade Antonianum, a universidade central da Ordem Franciscana em Roma, levou ao encontro de formação do Clero do Sul duas conferências: ‘Redes Sociais e Comunicação Social, Cuidados a ter e apostas a fazer’ e ‘Notas para um projeto nacional ou regional dos mass media ao serviço da evangelização’.

Para o religioso, nesta “nova cultura” digital, evangelizar tem de ser sinónimo de “experiência, de encontro”.

Implica “contar uma experiência concreta, pessoal, de um Deus que se revelou, junto de pessoas que não o experimentaram de forma tão clara, mas que o fizeram de outra forma também”.

O que faz com que muitas vezes “o evangelizador” se possa tornar também no “evangelizado”.

“Não digas às pessoas o que têm de crer, mostra-lhes o que vês”, resume Martín Carbajo, que defende uma mudança nas homilias, que já não podem ser mais “dizer aquilo que as pessoas têm de escutar e acabou”.

“O sacerdote tem de ter consciência de que as pessoas já têm em si estas sementes do Verbo, e tem sobretudo de ajudá-las a descobrirem as perguntas que para elas são mais inquietantes”, concretizou.

Em causa está uma comunicação que seja mais direcionada, adaptada ao contexto e aos anseios das pessoas que procuram a Igreja Católica ou que estão nas eucaristias.

“Às vezes os sacerdotes vão à internet, retiram a homilia e já está feita. Isso não é uma comunicação adaptada, pois não?”, questiona Martín Carbajo.

PR/JCP